Alguns economistas parecem inclinados a ocupar-se exclusivamente de custos e preços. Mas a moeda não é medida de nada real,tem um valor de troca. O preço não tem relação objetiva com a quantidade e a qualidade do bem, particularmente assim é com a Energia.De acordo com o pensamento econômico convencional, se a procura de energia crescer, o seu preço crescerá também e a indústria extrairá mais petróleo, por esse modo induzindo a descida do preço e a convergência para um equilíbrio. Mas temos razão para afirmar que o sistema econômico não funciona só na vizinhança do seu equilíbrio; há transformações estruturais a prazo mais ou menos longo que não são descritas por modelos simplistas.
Desejamos chamar a vossa atenção para o fator de Energia. O mercado do petróleo não reflete a quantidade de produto até que a sua escassez conduza ao estrangulamento físico da oferta. O preço não dá sinal da eminência da exaustão do bem. E todavia, desde meados da década de 90, as estimativas de recuperação última(EUR), ou seja, a soma do que foi já extraído com as reservas no subsolo e com o que se presume ainda descobrir, têm-se mantido consistentemente e, bem assim, também se tem mantido a previsão que o ponto médio e máximo da produção ocorrerá cerca de 2000-2005. A repercução desta realidade física no mercado é obscurecida, condicionada por outros fatores; em 1999 o preço do barril de petróleo estava virtualmente a nível mínimo absoluto e em 2000 o seu preço triplicou, necessariamente voltará a disparar nos próximos anos.