Para enriquecer o debate sobre bioenergia, tendo em vista as potencialidades de Pernambuco no cultivo de oleaginosas (como a mamona, algodão, amendoim, microalgas e outras), a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica (APCA) realiza deste domingo à terça-feira ( 12 a 14 de outubro) o Seminário Biodiesel: Fontes de energia das oleaginosas em Pernambuco. O encontro, que acontece no Mar Hotel, em Boa Viagem (Zona Sul do Recife), tem parceria da UFRPE, patrocínio da Chesf, Governo Federal e Capes e apoio do CREA-PE, Universidade Católica de Pernambuco, Sebrae, UFPE, UPE, Biodiesel BR e ITEP.
O objetivo do seminário é aprofundar o debate sobre a implantação de políticas públicas de produção energética no município, Estado e União, tendo em vista o crescente aumento do consumo energético baseado na utilização de combustíveis de origem fóssil não renovável.
A mesa de abertura do encontro será sobre o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), criado em 2005 pelo Governo Federal para viabilizar a produção de energia a partir da biomassa. Já está confirmada a vinda do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende; do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli; do presidente da Chesf, Dilton da Conti; dos reitores da UFPE, Dr. Amaro Lins; da UFRPE, Dr. Valmar Corrêa; da UPE, Dr. Carlos de Araújo Calado; da Universidade Católica, Pe. Pedro Rubens, entre outros. São esperadas as presenças da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.
No segundo dia, serão discutidas as políticas ministeriais de apoio aos programas estaduais. A integração institucional no Programa Nacional de Biodiesel com foco em Pernambuco será o debate do último dia do seminário. A tarde será reservada para plenária que apresentará as conclusões originadas a partir das discussões que aconteceram durante o evento. Ao final, um documento com problemas e soluções relacionados à produção do biodiesel será produzido para ser entregue aos órgãos governamentais envolvidos com o PNPB.
De acordo com o presidente da APCA e do seminário, Eudes de Souza Leão, o objetivo do encontro é abordar sobre biodiesel de forma objetiva e segura para eliminar as controvérsias e polêmicas que existem em detrimento da liderança brasileira, no estabelecimento da política estratégica, visando a máxima racionalidade na produção do biodiesel. “Como o Brasil é uma nação privilegiada em extensão territorial com áreas propícias ao cultivo das plantas oleaginosas, com nítida e incontestável vocação para o domínio de mercado internacional do biodiesel, tornou-se imperiosa a busca das melhores soluções para a fabricação do biocombustível com qualidade superior e com menores custos”, disse. Para ele, o uso da bioenergia é uma das opções para conter as altas emissões de gases tóxicos na atmosfera e diminuir o efeito estufa auxiliando no processo de convivência harmônica com o meio ambiente. Estarão presentes no seminário técnicos com trabalhos nacionais e internacionais.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no primeiro quadrimestre do ano de 2008, a produção brasileira foi de 275,6 milhões de litros de biodiesel. Os números não chegam a 30% do necessário para o cumprimento da meta de 2008 que é de 1,2 bilhões de litros consumidos no ano. Dados de 2003 do PNPB apontam que a utilização de B10 (10% de biodiesel ao diesel) permitiria a substituição total do diesel importado gerando uma grande economia para o País. Apesar de lento, o processo de ampliação do uso de biodiesel continua acontecendo. Desde primeiro de julho deste ano passou a ser obrigatória a utilização do B3 (3% de biodiesel ao diesel).
Segundo a coordenadora técnica do Programa Probiodiesel em Pernambuco, Ana Rita Drummond, para avançar na produção de fontes de energias alternativas é necessária articulação entre os setores tecnológicos do país. “No Brasil, 53 indústrias estão credenciadas para produção de biodiesel. No entanto, 30 estão paradas por falta de matéria prima”, afirma.
Pernambuco – A realidade não é muito diferente no Estado. Existem duas indústrias de biodiesel, uma no município de Caetes, no Sertão (piloto e desenvolvida para pesquisa) e outra em Pesqueira (Agreste), sendo a última instalada há dois anos sem funcionar por falta de matéria-prima. Uma terceira indústria está fase de instalação em Serra Talhada (Sertão).
"Pernambuco não tem condições de fazer teste para produzir biodiesel em escala industrial por falta de matéria prima. Isso porque os agricultores foram motivados para um só tipo de plantio e por não possuírem informações sobre o processo de escoamento. Precisamos diversificar a matéria-prima\", disse Ana Rita. No caso de Pernambuco, apenas a mamona é cultivada para este fim.
De acordo com ANP, no ano de 2006, a venda de diesel pelas distribuidoras para o Nordeste foi de 5.818.493 m3 e para Pernambuco foi de 61.111 m3 . Para atender a Lei 11.097, que determinava o acréscimo obrigatório ao óleo diesel de 2% de biodiesel, seriam necessários 17.222 m3 de biodiesel por ano em Pernambuco. Para suprir as necessidades de comercialização de B2 o ideal de produção girava em tono de 17.222 m3 de óleo de mamona ou outro óleo vegetal e uma área total plantada de 54.673 hectares . Entretanto a produção total de óleo vegetais (mamona, algodão e amendoim) em Pernambuco foi de apenas 2.680 m3 , com o total de área plantada para estas três oleaginosas de 10.703 hectares.
São esperados cerca de 200 participantes entre cientistas, ministros de estado, tecnólogos, estudantes, empresários, representantes de instituições financeiras envolvidas no crédito agrícola e industrial, presidentes de empresas geradoras de energia e produtores rurais. O seminário também marca a comemoração dos 24 anos de existência da APCA, uma entidade cultural sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da Ciência Agronômica.